
Ela sabe que vai ser hoje. Banho, creme, perfume. Roupa transparente, mostrando seu corpo. Pequenos adereços. Pequenos detalhes. Grandes provocações.
Ele nem tem idéia do que vai acontecer. Interfone, elevador, porta do apê. Seu olhar para ela é de uma curiosa surpresa (oi! tudo bem?). "Vai pro quarto, tira a roupa e deita na cama", ela diz. E, numa obediência de criança, ele se rende.
Música envolvente, quarto a meia luz, uma cadeira. Ele, distraído, coloca suas roupas sobre a cadeira. "Não, não coloque a roupa aqui... eu é que vou me sentar nela!". Ela se senta, o ritmo da música leva o corpo a movimentos calmos, calculados, provocantes, insinuantes. Gestos, olhares, mãos, pés. Ele já não tem controle de suas emoções. Já têm cumplicidade suficiente para se levarem nesse jogo. Já têm maturidade para brincar. Já não há mais adereços e, na nudez do corpo, o vermelho de uma calda de cerejas escorre por entre as mãos e a boca de um sedento, que se sacia e que faz transbordar o desejo contido.